Cabelo, algo que sempre foi motivo de questionamento e reflexão pra mim. Você já teve problemas de autoestima por conta de como o seu cabelo é? Eu tive!

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O cabelo sempre representou algo importante para mim, acredito que a maioria das mulheres brasileiras se preocupam bastante com o hair e investem tempo e dinheiro para deixá-los bonitos. Eu particularmente, amo cuidar dos meus fios, amo vê-los lindos, mas a questão a ser tratada aqui hoje não é essa.

Cabelo   

Uma mente conflituosa e foi o cabelo que pagou o pato.

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Quero compartilhar com vocês o quanto sofri por não me sentir satisfeita com o meu cabelo, por permitir que as pessoas, que a sociedade, se metessem onde não haviam sido chamadas e dissessem o que era melhor para ele. É estranho dizer isso, dá impressão de que eu era alguém sem opinião.

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Não, desde bem novinha sempre tive personalidade, e por mais quieta e tímida que fui e ainda sou, nunca abri mão das minhas convicções. Porém, quando o assunto era cabelo, tudo mudava. De repente eu era uma criança indefesa e confusa que não sabia a quem ouvir, o que fazer e acabava tomando uma série de decisões que a fariam repensar tudo isso mais tarde.+cabelo+crespo+alisado

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Chega uma hora em que é preciso refletir

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Esse dia chegou e eu parei para analisar o quanto me deixava levar pelo padrão imposto. Lembro que bem cedo, provavelmente eu ainda não tinha 10 anos e já perguntava para minha mãe porque eu não era loira, e o que eu poderia fazer para clarear o cabelo. Não era uma questão de estética, ou de seguir moda, era algo bem mais profundo, era um sentimento de solidão. Eu me sentia muito diferente das pessoas com as quais convivia, não via representatividade e isso me fazia pensar que eu era inadequada.

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Por mais que minha mãe conversasse comigo, por mais que ela tenha repetido por inúmeras vezes o quanto o meu cabelo, os meus cachos e todo aquele comprimento era lindo, eu não entendia, a conta não fechava na minha cabeça de menina. Resultado: Alisei, perdi fios, quase fiquei careca, meus fios nunca mais foram os mesmos. Nessa época eu não sabia dos recursos que se tem para manter um cabelo com química saudável.

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Depois de adulta comecei a pensar sobre o quanto vacilei comigo mesma, como eu gostaria de ter aquele cabelo de volta e principalmente, com todo esse momento maravilhoso de empoderamento feminino e aceitação dos fios crespos e cacheados resolvi fazer a transição. Depois irei falar mais a fundo sobre essa fase da minha vida.

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Sérias e doídas verdades sobre alisar cabelo sendo negra

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A verdade, é que eu ainda não havia percebido, que o meu desejo de fazer a transição era novamente eu, me fragilizando diante da sociedade e deixando que eles dissessem o que de fato eu deveria fazer com o meu cabelo. E, ó, foi difícil cair nessa realidade. Custei a entender que não, eu não preciso ter o corte da moda, que eu não preciso parar de alisar para representar minha raça, que eu não preciso dar atenção ao que as pessoas pensam a respeito do meu posicionamento. De novo, eu estava agindo como aquela menininha que queria ser loira, só que agora era ao contrário. Ô dilema.

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“Foi difícil, mas entendi que eu preciso mesmo é me amar, é fazer minhas próprias escolhas e me sentir, muito, mas muito bem com o meu cabelo, como eu quero que ele seja!”Cabelo + extensão de clip

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Ufa! Que desabafo meninas, mas espero que de algum modo sirva de reflexão para quem se sente como eu.

Eu não sou menos negra por não querer fazer a transição, eu sou mais eu,  e menos os que os outros querem que eu seja. Somente!

6 respostas a “Do meu cabelo cuido eu: sobre dilemas capilares”

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